POETA FRANCIS GOMES

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sexta-feira, 29 de maio de 2015

Novelas viram poemas

Aos amantes de novelas, veja se lembras desta citadas neste poema. Um poema usando apenas nomes de novelas, são 56 novelas citadas.

Amor global vira novelas

Cabocla.
Aqui no meu pedacinho de chão
Busco vida nova,
Felicidade.
Pela força de um desejo,
Meu coração de estudante
Percebe, o amor está no ar.
Quer uma alma gêmea.
Quem sabe está escrito nas estrelas
Sobre a vida da gente.
E você, pode ser minha doce namorada,
E eu o homem proibido,
Ou seu santo mestiço,
Que sabe tudo do sexo dos anjos.
Deus nos acuda,
E nesta eterna magia,
Você, me ensina encontrar o mapa da mina
Deste teu corpo dourado,
Da cor do pecado.
Vem me faz seu vira lata,
Meu anjo mau.
Não liga para o ti ti ti,
Destas cobras e lagartas.
Vivemos em tempos modernos.
Deixa eu te dá aquele beijo,
O beijo do vampiro.
Chega mais,
Minha beleza pura
Vamos fazer uga uga,
Cometer sete pecados,
Minha top model,
Meu pecado rasgado.
Nesta guerra dos sexos
Vou te deixar andando nas nuvens.
Vem. Baila comigo
Neste corpo a corpo,
E você minha rosa rebelde.
A indomada.
Não sou o dono do mundo
Nem você rainha da sucata.
Não quero ser o salvador da pátria
Nem o astro desta selva de pedra.
Meu insensato coração,
Quer apenas viver a vida.
Um louco amor
Um amor eterno.
E por amor a vida
Vale tudo,
Minha flor do caribe.
Quem sabe na América,
Na Avenida Brasil,
Encontramos o paraíso,
E tenhamos um final feliz
Em alto astral
Minha jóia rara.


Francis Gomes.

segunda-feira, 25 de maio de 2015

O indomável sentimeto, amar.

Amar é um sentimento sem escolha, sem opção de quem se quer amar ou quando quer amar.  Amar é um verbo que se conjuga em todos os tempos e modos, mas não temos este controle é o sentimento mais selvagem e dócil que habita o coração humano.

Porque te amo


Te amo, não é pela sua beleza,
Nem pelos seus cabelos negros,
Nem pela cor dos seus olhos.
Te amo, não é pelo seu sorriso elegante,
Nem sua boca pequena
E seus lábios grandes.
Não é pela sua voz que sussurra,
Pelos seus braços que me apertam,
E suas mãos que me tocam.
Não é pelo seu corpo bonito,
Pelo seu jeito atraente,
Nem sua sensualidade.
Nem por que quero te amar.
Te amo por que não mando em meu coração,
Porque não controlo meus sentimentos,
E não consigo te odiar.
Só por isso, e só por isso te amo.




Francis Gomes

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Um patriota nato



Terra de sonhos e sonhadores


Já andei  por muitas terras
De sonhos e sonhadores
Eu vi espinhos nos vales
E pedras brotarem flores
Vi homens escravizados
Mais felizes que os senhores.

Terras de muitos artistas
Atrizes e grandes atores
De muitos homens guerreiros
Que se tornaram vencedores
Patriotas como eu
De sua pátria defensores

Mas nenhuma destas terras
De sonhos e sonhadores
Compara-se a minha terra
Na soma de seus valores
Na alegria do meu povo
E na coragem dos lavradores.

Terra de mulheres valentes
E homens trabalhadores
 Violeiros, cordelistas
Humoristas e trovadores
Onde o caboclo repentista
Cantam a  vida seus amores.

Falo do meu Ceará
E onde quer que eu vá
Defenderei suas cores.
E do meu Farias Brito
Sempre serei o grito
Da terra de meus amores

Em cada verso que faço
Por os lugares que eu passo
Nos momentos tristes ou felizes
Não importa a aonde vou
Não esquecerei que eu sou
E nem de minhas raízes



Francis Gomes

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Graduação do amor




Para ser graduado na arte de amar
É preciso conhecer um pouco de tudo.
Primeiro dominar a gramática
O estudo da língua mãe,
Principalmente conjugação verbal
Para saber usar no tempo correto.
Dominar analise sintaxe
Para dar bons adjetivos ao sujeito
E ter predicado para convencê-lo se necessário.
Conhecer o básico da matemática,
Para multiplicar os bons momentos,
Somar as virtudes de um ao outro,
Dividir o que ambos têm de melhor
E subtrair o que não serve.
Conhecer bem a geografia,
Geologia e biografia do corpo,
Para entender seus pontos cardeais e colaterais,
E os estímulos possíveis do prazer.
A química é essencial
Para conhecer os produtos certos
Que causam ebulição total
Quando ambos se tocarem.
E quando a alegria dos graduados
For completa
A vida se encarregará
De registrar a história do amor
Em prosa e versos
Por meio dos escritores e poetas.

Francis Gomes







sábado, 16 de maio de 2015

Náufrago




Estou como um barco em alto mar
Sem saber como voltar para cais
Quanto mais me esforço para voltar
Eu sinto que me distancio mais

Lembrando de tudo que nos aconteceu
No antes, durante e depois,
Mergulho no oceano do meu eu
E me afogo de saudades de nós dois

Sem bússola, sem farol sem guia,
Seguindo o rumo que me leva os ventos
A deriva na imensidão desta saudade
Náufrago dos meus próprios sentimentos


Francis Gomes





sexta-feira, 15 de maio de 2015

Um história real dos contos da vida



Tem pão seco de ontem?

Eu sempre vos contei histórias que meu avô me contava, hoje quero contar-vos uma que eu vivi e fui um dos personagens principal neste filme da vida real cujo enredo sempre foi o sofrimento, a fome, em um mundo que até hoje existe, e ainda continua desconhecido por muitos.
Em uma pequena casa de quatro cômodos, duas salas, um quarto e uma  cozinha, metade tijolos e metade taipa,  onde eu morava com meus pais, meu irmão e minha irmã.
Tinha apenas uma cama, a dos meus pais e esta de folha de banana. Nós dormíamos em redes, eu e meu irmão em uma das salas minha irmã na outra.
Cinco e meia da manhã, meu pai chegava puxando o punho da rede nos acordando para sairmos para o  roça.
Normalmente tomávamos um café puro, eu mesmo nem isso porque nunca gostei de café. Uma vez ou outra  tinha uma bolacha doce, ou uma broa de milho feito por minha mãe. Ás vezes aos sábados, quando tinha algum dinheiro,  meu pai comprava um pãozinho para cada um, e isso era motivo de festa para eu e meus irmãos enquanto em alguns lugares os porcos comiam melhor  que nós. Mas não é sobre isso que quero falar neste momento, em outra ocasião falarei para vocês esta parte da história.
Voltamos à ida para roça, cada um de nós digo eu meu pai e meu irmão tínhamos que levar uma cabaça com água, e as ferramentas de trabalho, machado, foice roçadeira ou inchada.
Algumas destas ferramentas às vezes ficavam na roça durante o inverno inteiro, a inchada por exemplo.  Não vos vou fala sobre o uso de cada ferramenta, apesar de saber usar todas elas, não é ainda o que nos interessa neste momento.
A roça ficava a mais ou menos três quilômetros de onde morávamos e tínhamos que ir e voltar na caminhada.
O sol quente porque lá até parece que o sol nasce mais cedo se põe mais tarde, e é mais quente que em qualquer outro lugar do mundo. Estradas de terra vermelha, quando passava um carro à poeira cobria, o suor correndo aquilo impregnava no rosto, os pés suados, escorregava nos chinelos feitos por meu pai, de pneu de carro ou corro de vaca. Chapéu de palha, roupa remendada. Com aqueles chinelos sem proteção nenhuma, pisando em espinhos fazendo a broca, desmatamento, e depois encoivarando o mato. Este tipo de trabalho normalmente acontece nos meses de agosto e setembro a época da seca. Outubro é a queima da roça, final de dezembro começo de janeiro começa o plantio. Feijão, milho, arroz, amendoim, algodão, mamona, fava, gergelim e muitos outros cada um ao seu tempo, cada um na parte da terra onde ele se adaptaria melhor, ciência que o sertanejo aprende com dia a dia ainda criança.
Eu poderia descrever o tipo de terra, se fofa, se mais dura, se pedregosa ou não, porque eu  conheço cada pedaço de terra e que tipo de lavoura se adaptaria melhor, mas isso tomaria muito tempo, e posso contar em outro momento em outra oportunidade.
Quero falar sobre o meu tempo de escola e o que a vida me oferecia. Eu estudava no período da manhã, ficava na roça até as onze e meia e depois voltava pra casa, para ir à escola. Na volta tinha que trazer um pau de lenha,  o combustível para fazer a comida, por que apesar de nós morarmos na cidade ainda usávamos fogão a lenha. Dia sim dia não, assim se dava.  Às vezes eu voltava correndo, pois tinha ainda que tomar banho, almoçar antes de ir para escola.  Na maioria das vezes eu tomava banho no rio, visto que eu passava pelo rio, meu rio, o meu velho e maravilhoso rio do qual já vos falei em outras ocasiões, o rio Carius, ele que me enchia a alma de prazer a me alimentava com seus peixes. Meu grande e verdadeiro amigo, de muitas solitárias confidências que só eu, ele e Deus sabemos.
A parte mais dolorida da história começa agora, confesso choro ao lembrar cada cena, lembro-me cada detalhe como se eu tivesse vivendo agora.
O almoço, se é que posso chamar isso de almoço, era pão de milho, um tipo de faria de milho  que alguns conhecem como cuscuz, com feijão, e mais nada.  Uma vez outra tinha uns peixes assados, que eu mesmo pegava de anzol no Carius dia de domingo, ou passarinhos pegados na arapuca. Alguém pode até achar que isso era um crime comer passarinhos assados, o IBAMA talvez nos condenassem. Mas quem deles já passou fome? Quem deles pegou uma pimenta vermelha, esmagou-a em  caldo de feijão, para servir de mistura, e poder conseguir comer uma massa  seca para resistir uma tarde de aula com barriga roncando de fome?
Quantas vezes não vi minha mãe chorando de dó de mim, do meu irmão! Quantas vezes eu não fui impedido de entrar na escola porque não tinha uma  conga, a farda do colégio. E eu lá, de chinelo e roupa remendada, ouvido o outros zombarem de mim, rindo daquela necessidade, quase miséria. 
Meu irmão e minha irmã não suportaram desistiram de estudar e só concluíram a quarta seria do primário, eu que nunca desistir de nada na minha vida, conseguir com muito custo e muito esforço de meus pais conclui o segundo grau.
Fui um motivo para comemorar, mas não tínhamos como, nem com que, apesar de isso ter acontecido, a bem pouco tempo, na década de oitenta, parece mentira, mas tudo isso ainda acontece até hoje em pequenas cidades nos confins do nordeste.
Alguns dias, raros, tinha merenda na escola eu aproveitava pra comer bastante, tinha  colegas que não gostavam da merenda e me davam, outras vezes eu entrava na fila duas vezes, escondido, para repetir.
E quando não tinha merenda, na hora do recreio eu saia com mais outros três amigos na mesma situação que eu. Nós íamos correndo para a padaria do seu Zequinha, no centro da cidade, a única padaria da cidade naquela época. Todas as vezes que me lembro disso  choro, não é de vergonha, nem tristeza, mas alegria  por passar por tudo isso e nunca perder a dignidade, a qual meu pai me ensinou, ser honesto e nunca desistir.
 Na padaria, seu Bernardo um dos empregados da padaria, era o nosso salvador, às vezes ele se aborrecia conosco, mas na maioria das vezes colabora. Sempre a mesma pergunta; Tem pão seco de ontem? Da um pra nós. O pão adormecido de um dia para o outro, de dois ou três dias, que o seu Lulinha preferia jogar fora ou fazer torradas, a nos dar para matar a fome.
 Seu Bernardo pegava escondido e nos dava mandava nós comermos fora para seu patrão não ver. Era tão seco que às vezes cortava a gengivas e o céu da boca. Mas era o que nos fortalecia para resistirmos o resto da aula. Quanto à janta era o mesmo que o almoço com uma diferença, metade arroz e metade pão de milho, mas isso é coisa para se falar em outro dia.

Francis Gomes
Poeta escritor e cordelista. Autor de dois livros, Ecos do Silêncio e semeando versos colhendo cordel. Oito coletâneas com outros escritores, 22 folhetos de cordel, dois CDs e três DVDs de literatura, presidente da Associação cultural Literatura no Brasil por quatro anos. Formado pela UMCTEC, Universidade de Mogi das Cruzes São Paulo, técnico em eletrotécnica.

A arte de escrever





Escrever, não apenas dom é técnica.  Não é como fazer salada de frutas, que você escolhe as frutas de sua preferência, corta em pequenos cubos e pronto, é muito mais que isso.
E uma das mais antigas artes.  Começando pelos escritos em pedras, couro, pergaminhos até chegar ao papel.  Da mesma forma que o pintor passa todo seu sentimento para uma tela assim também é com a escrita ou pelo menos deveria ser. Começa pela escolha da tela, da tinta, do pincel. As tintas são misturadas para criar uma uniformidade de acordo com o que a obra vai pedindo.
É preciso pincelar, se afastar olhar de perto, de longe, tornar a pincelar da mais uma, duas, outra e mais outra olhada, até que a tela comece sorri para o criador.
Escrever é isso.  Como falou Graciliano Ramos, é como faz as lavadeiras, lavam a roupa, ensaboa , põe para quarar, enxágua, bate, espreme, torna a bater, espreme e depois põe pra secar. Quem se mete a escrever deve fazer desta forma.
Não basta apenas juntar um monte de palavras bonitas e passar para o papel. Não.  Precisa muito mais.
 Escrever é viver diversas vidas em muitos mundos. É emocionar. É tornar visível o invisível e fazer com que outros viagem nas sinfonias das letras, nas melodias das palavras em cada frase ou versos de um bom livro independente do estilo literário. Escrever é de certa forma por algum momento brincar de ser Deus, a criatura sendo criador, ter em suas mãos o poder da felicidade e da tristeza, fazer nascer e matar um personagem. É ter o poder de domar o destino.
Por outro lado o escritor, o poeta, é um ser que divide o melhor de si com os outros ao mesmo tempo é egoísta. Vive rodeado de personagens e é solitário. Escrever é correr o risco de por no papel a mais excelente das frases e algumas vezes a mais infeliz, é viver na linha que divide as emoções.
È como fazer a construção de uma casa. Primeiro, prepara o terreno, esquadreja, faz os alicerces. Levanta a estrutura. E depois que tudo estiver caprichosamente levantado, em nível e alinhado, vem o acabamento e depois do acabamento ainda vem à limpeza.
Isso é escrever. Vem à idéia, passa pra o papel. Ler uma, duas, duas, três e outras tantas vezes, fazendo os cortes, enxaguando como as lavadeiras, e quando tiver enxuto, limpo como a roupa branca no sol, quando ele sorri para você, o acabamento final está feito.  Aí é presentear o leitor com o que você tem de melhor naquele momento.

Francis Gomes