POETA FRANCIS GOMES

POETA FRANCIS GOMES

PALESTRAS, OFICINAS, COMPRA DE OBRAS LITERÁRIAS.

CONTATOS:

contatos:
tchekos@ig.com.br
11 954860939 Tim
11 976154394 Claro

segunda-feira, 30 de maio de 2016

A BRICA DAS FUXIQUEIRAS


Seu moço eu vou lhe falar,
De duas muié desastrada,
Mas vou pedir prô senhor
Por favor, num dê risada,
Num vou contar anedota,
Nem vou fazer paiaçada
Num é história de pescador,
Aconteceu sim senhor,
Não é nenhuma piada.

Duas pestes fuxiqueiras
Gente sem ocupação,
Como bem diz um ditado,
Lá no meu veio sertão
Que mente desocupada
É oficina do cão,
Maquinando o que num presta
Fazendo o que Deus detesta
Arrumando confusão.

Gente desmazelada,
O que não ver, ela inventa,
Gosta de uma fofoca,
Tudo que ouve, aumenta,
Não pode ver ninguém quieto
Que logo se apoquenta
Vive de mexerico,
Se não fizer um fuxico,
Fica que num se aguenta.

Apois bem, onde eu morava,
Lá no morro do petisco,
Tinha duas pestes assim
Que adorava um mexerico.
A muié de Zé Calango,
E a muié do Tico Tico,
Duas cobras venenosa,
Que prá encurtar a prosa,
Caiu no próprio fuxico.

 A muié do Zé Calango,
Gorda igual um elefante,
Falou prá do TicoTico,
Que ele tinha uma amante,
Só não ia dizer quem era
Prá num ser deselegante,
E ainda disse a muié,
Quem avisa amigo é,
E saiu exuberante.

A muié do TicoTico
Também fez a merma coisa,
Foi falar prá Zé Calango,
-Cuidado cá sua esposa,
Com aquela cara de santa,
É uma veia raposa,
Enquanto tu tá dormindo,
Ela tá te traindo,
Fique atento cá a mariposa.

Descobriram a mentira
E as duas se enfezaram,
Duas semanas depois
As malditas se encontraram,
Como dois touros enraivados
As caboclas se atracaram,
O reboliço começou
Foi por pouco sim senhor,
Que as pestes não se mataram.

Foi num dia de domingo,
Logo depois do almoço,
Eu tava quase dormindo,
Quando escutei o destroço,
Uma gritava:- safada
Eu vou quebrar seu pescoço.
Nunca vi coisa tão feia,
Parecia duas baleia
Brigando no mermo poço.

A outra então respondeu:
- você é que é sem vergonha
Se você nunca apanhou,
Apois hoje você apanha.
E a molecada gritando
- quero ver quem é que ganha.
Se atracaram pelos cabelos,
Pareciam dois novelos,
Todos cobertos de banha.

Uma por cima da outra,
Saíram rolando no chão.
Moço nem vou falar,
As espécies de palavrão
Que as infelizes falavam
No meio da confusão
Num sei se era aplaudindo,
Mas tinha cachorro latindo,
Batendo as patas no chão...


Parte do cordel A Briga  das fuxiqueiras. Quer ler o restante adquira com o autor
Poetafrancisgomes@gmail.com
francis.gomes948@facebook.com
9 76154394 Claro
9 54860939  Tim


sexta-feira, 27 de maio de 2016

A Cultura do Estupro



 Meus queridos e queridas. Muito bom os comentários explicações e explanações sobre a “cultura do estupro”, naturalmente antes de fazer a postagem eu li alguma coisa sobre o assunto, assim como relatado por todos, o que é muito importante e necessário ter o mínimo de conhecimento sobre o que falamos.
Porem eu, particularmente do mesmo modo que, não aceito que sejam qualificados como cultura, o Terrorismo, os sacrifícios de seres humanos, Crianças, Albinos, a descriminação seja ela qual for também não consigo ver o ato de estupro como cultura e sim como um sacrilégio, uma violência aos direitos humanos.
Fico honrado com todos os comentários a minha pequena e simples postagem, mas, continuo achando que nenhum crime, ou violência aos direitos, à liberdade e a vida dos seres humanos seja qualificado como cultura. São pontos de vista, e no meu nenhum crime é crime cultura é cultura.


Francis Gomes

ESTUPRO, CULTURA?

Eu sou contra qualquer violência ou assédio contra a mulher, principalmente o Estupro. Mas desde quando Estupro é cultura? Estupro pode ser muitas coisas: Desrespeito, violência, crime etc. Mas chamar isso de cultura é rebaixar de mais o que realmente é cultura.

Francis Gomes

quinta-feira, 26 de maio de 2016

Meu paraíso no sertão



Tenho saudades daquelas noites enluarada
Quando eu ficava até alta madrugada,
Contando estrelas no céu azul do meu sertão.
Fogueira acesa para espantar os bichos
Um café preto sem açúcar no capricho,
Ouvindo o som saudoso de um violão.

Quando não estava sentado numa cadeira,
Ouvindo o rádio tocar moda sertaneja,
Era deitado numa rede a balançar.
Quando entrava deixava a janela aberta,
Pra ver a lua entrando por entre as frestas
E adormecia vendo os raios do luar.

Muitas vezes eu ficava a noite inteira...
Ouvindo o uivo do lobo na ribanceira,
Até os pássaros começarem a cantar.
E quando o sol vinha surgindo atrás dos montes,
Eu levantava ia me banhar na fonte
Depois saia pro roçado  carpinar.

Assoviando sozinho pelo caminho,
E acompanhado a melodia os passarinhos,
Junto comigo pulando de galho em galho.
Assim eu era, feliz vivendo no mato,
Quando as estradas ainda não tinham asfalto,
Era de terra coberta pelo cascalho.

Hoje distante do meu velho pé de serra
Só a saudade em meu peito se encerra,
Como um punhal cravado em meu coração.
Pois são lembranças que o tempo não apaga...
Este progresso que se alastrou feito praga!
Destruiu meu paraíso no sertão.




Francis Gomes

terça-feira, 24 de maio de 2016

Ser sozinho

Como é triste ser sozinho...
Andarilho sem amor,
Uma estrela solitária,
Que não dá seu resplendor,
É como um corpo sem alma,
Um espírito sem senhor.

Forasteiro sem ter casa
Fugitivo sem razão,
Implorando ao vento um beijo
E um carinho à solidão,
Suplicando à noite um sonho,
E ao sonho uma paixão.

Mas, como é triste ser sozinho...
Pelo mundo a vagar,
Sem parentes, sem amigos...
Sem ninguém a te esperar,
Sem um olhar, um sorriso,
Sem alguém pra te abraçar.

Mas é bom ter esperança,
Sempre alcança o que espera.
Vai à luta não desiste,
Quem persiste prospera,
Hoje já não sou tão triste,
Nem sozinho como eu era.

O destino como prêmio,
Te botou em meu caminho,
Já não sou tão solitário,
E nem ando tão sozinho,
Nem meu coração murmura,
Mendigando um carinho.

Nunca mais serei sozinho,
Nem jamais serás sozinha,
Serei eu, o que te faltava,
Tu serás o que eu não tinha,
Eu serei metade teu,
Tu serás metade minha.

Francis Gomes


Os dois seres que habitam em mim


Quando eu penso em você
Sinto dentro do meu ser
Dois seres entrarem em combate.
Um é lúcido e coerente,
O outro é louco inconseqüente,
E assim vou vivendo este contraste.

Um segue a lei, os mandamentos.
O outro as quebra em pensamento,
Pelo incontrolável desejo de tê-la.
Enquanto um te quer tão loucamente,
O outro é simples e inocente,
E treme de medo só em vê-la.

Confuso eu chego até pensar...
Se eu pudesse ter você sem te tocar,
Talvez fosse bem melhor assim.
Teria eu o que tanto quero,
Você igualmente como espero,
Se quisesse também teria a mim.

E para comigo cometo um delito.
Vivendo o meu “eu” este conflito,
Que transcende o meu próprio entendimento.
Quero a todo custo você que ainda não tenho,
Por outro lado eu muito me empenho,
Para não tê-la sequer no pensamento.

No entanto um de mim só pensa em ti,
O outro coitado tenta fugir,
Das loucuras que eu venha cometer.
Se este conflito durar por mais um pouco,
Ou eu faço um acordo meio louco,
Ou te esqueço antes de enlouquecer.

Se é que eu já não estou enlouquecido,
Querendo este amor que é proibido,
E causa um conflito no meu ser.
Se apenas um de mim não te esquece,
Imagina se o outro também quisesse...
Certamente eu morreria por você.


Francis Gomes

sexta-feira, 20 de maio de 2016

Teu sorriso


Este sorriso mais que iluminado
Estes olhos meigos da cor do mel
Tem uma pitada de pecado
Que nos deixa entre a terra e o céu

Doce e tranquilo como a lua
Forte como os raios do sol
Tem um pouco da brisa da manhã
E das tardes a beleza do arrebol

Espontâneo como água nas nascentes
Embriagante como o vinho da uva
Tão iluminado, tão radiante!
Que brilha até nos dias de chuva

O que mais me falta falar
Deste sorriso maior que o universo
Meu poema é pequeno para contê-lo
E nem posso descrevê-lo em meus versos

Me faltam palavras, adjetivos inspiração.
Para descrevê-lo da forma que é preciso
A terra, o céu, o mar são testemunhas,
Não há nada mais lindo que seu sorriso.


Francis Gomes

quinta-feira, 19 de maio de 2016

O Verdadeiro Amor


O verdadeiro amor,
Não é o que aceita a pessoa como ela é
Nem o que faz tudo o que a outra quer
Porque amar, não é ser submisso.
O verdadeiro amor,
Não é aquele que trás apenas paz
Mas aquele no dia a dia faz
Mudar sem ser por compromisso.

O verdadeiro amor,
Não é aquele  que segue séries
Mas se modifica para vencer as intempéries
Sem perder sua forma original.
O verdadeiro amor,
Não apaga o que viveu outrora
Porém é semelhante à aurora
Diferente só pra ser normal.

O verdadeiro amor,
Não é aquele que trás comodidade
Mas, o que todo dia trás uma novidade.
Sendo o mesmo de um novo jeito.
O verdadeiro amor,
É o que faz um ao outro reciclar
Ser novo sem modificar
Ser diferente só pra ser perfeito.


Francis Gomes







quarta-feira, 18 de maio de 2016

Amor em erupção

O amor que eu quero pode não existir
E talvez eu persistir
Nesta idéia seja loucura.
Mas estou cansado de amor pequeno
Que não é remédio tão pouco veneno
Só deixa doente não mata nem cura.

Quero um amor como um tufão
Forte. Surpreendente e quente como um vulcão.
Que aconteça sem interferência humana.
Que me lance lavas quando eu estiver perto
Que me devasse no momento certo
E satisfaça minha vontade insana.

E depois deste momento louco
Vá se acalmando, se acalmando aos pouco,
Sem retroceder, sem voltar atrás.
Só me der um tempo pra me refazer.
Eu quero um amor para me enlouquecer
Esquecer do tempo sem perder a paz.

Que me faça sentir e eu lhe cause estas emoções
Que sejamos juntos como dois vulcões
Sem erupções, porém sempre ativos.
Que sejamos juntos cada vez mais forte
Pra curtir a vida sem pensar na morte
Cada vez fortes cada vez mais vivos.

Francis Gomes


sábado, 14 de maio de 2016

HOMENAGEM A LUIZ GONZAGA E DOMINGUINHOS.

O nordeste está órfão

Eles cantaram
Forró no escuro,
E Deus lá de cima viu
Que aqui tava bom de mais.
No nordeste que sempre foi
Mel e fel
Ficou sem rumo nem prumo,
Como não tem jeito que dê jeito
Nem adiantou
Olhar pro céu
Cantar viva ao rei
Alvorada da paz e
Apelo ao soberano.
Porque eles já tinham
Um lugar ao sol.
Deus tocou no nosso ponto franco
E recolheu a última estrela
De volta ao seu aconchego.
Depois da asa branca
A estrela Gonzaga,
Dominguinhos
Sem se despedir de mim disse:
Não prende minhas asas,
Tô indo embora.
Vou voltar
 A casa grande.
Deixou uma saudade matadeira,
A sanfona sentida
E foi cantar viva ao rei
Na nova Jerusalém
Na cabana do rei
Um baião de dois
Com a estrela Gonzaga.
Enquanto tem festa no céu,
Pra nós só resta dizer
Valha me Deus, senhor são Bento.
E chorar no umbuzeiro da saudade
A triste partida
Do baião que vai
A festa dos santos réis.


Francis Gomes

sexta-feira, 13 de maio de 2016

Ela

Alguns dizem que ela não é tudo isso 
Que ela é somente um vício
Uma doce fantasia.
Porem, pra mim só ela que me completa,
Por ela eu sou poeta
E a transformo em poesia.

Ela é a lua surgindo atrás dos montes
Encantadora sensual e elegante,
Ela é estrela que não para de brilhar.
É como flores aromáticas coloridas
Mesmo depois colhidas 
Não deixa de perfumar.

Ela é a luz que afugenta o escuro
Ela é o ser mais puro
Que eu pude contemplar.
Ela é o sol a despontar no novo dia
Tem a alegria
E o frescor da manhã.
Ela é da vida aquilo que mais desejo
Provei seu beijo 
E depois me tornei fã.

Francis Gomes


quinta-feira, 12 de maio de 2016

Aritmética da vida


O tempo passa
Vão-se os dias
E a vida, esta aos poucos
Vai escapando de nós
Como a água que não se pode prender
Na palma das mãos
Sem que escape por entre os dedos.
Nem percebemos.
A vida é inversamente proporcional ao tempo.
Cada dia a mais que vivemos
É um dia a menos para se viver.
Para relógio da vida somos inúteis.
Tudo gira em torno da matemática,
Das simples e básicas operações
Da velha tabuada, mas nunca a nosso favor.
A renda não é dividida entre os pobres.
O salário dos homens de ternos,
São somados aos muitos benefícios
Mas nunca chega a um coeficiente exato.
As dividas do trabalhador multiplicam-se.
E da pequena remuneração é subtraído
Os encargos, para matar
A insaciável fome dos leões do serrado.
A aritmética da vida é injusta.
E quando se tira a prova,
De um a nove sobe,
Para os ricos.
O pobre desce e é tirado fora.
E assim o tempo passa,
Vão-se os dias,
Morremos sem viver,
E sem entender
A matemática da vida


Francis Gomes


quarta-feira, 11 de maio de 2016

Meu Canto

Um dia participando de um sarau ouvi uma crítica de alguém que comentava que eu só falava do nordeste. E era besteira porque ele nem conhecia o nordeste. A pessoa não percebeu que eu ouvi. mas eu sou patriota nato, amo meu povo, minha terra, nossos costumes e cultura.

Então eu respondi:

Meu canto

Alguns amigos me chamam de poeta
E outros me chamam cordelista
Meus parentes me chamam por meu nome
Mas o meu povo me chama de artista.

É por isso que eu canto o meu povo
Suas dores, alegrias e tristezas
Não escondo os indecoros que existe
Mas me esforço para cantar as belezas

Desta terra desprovida de um rei
Onda a lua toda noite faz clarão
E o sol impetuoso fere forte
Como carrasco deste povo e deste chão.

Mas este povo, esta nação sem bandeira
É como o sol rompendo a aurora a cada dia
Muitas vezes são deuses de si mesmos
Infelizes estandartes da alegria,

Impávidos heróis sem honra ao mérito
Gênios que a pátria não os reconhecem
Filhos legítimos de um rei
Bastardos na miséria em que perecem

Em uma  terra rica por si mesma,
Cheia de fontes, rios, açudes e mar
Céu azul, sol brilhante, verdes colinas
Noite estrelada e uma lua a clarear

E nesta terra é possível ver a aurora
E o arrebol que forma o sol ao entardecer
Ouvir cantar, cigarras, grilos e passarinhos
E ver vadios pirilampos ao anoitecer

Por isso canto cada canto desta terra
Os campos, as selvas, a luz, o escuro
Canto este solo, este povo bravio
Livre pra morrer sem ter futuro

Se cantar a minha terra é loucura
E ser poeta patriota é ser maldito
Me desculpem outras terras outros povos
Mas só a morte pode calar o meu grito

Porque não existe uma terra mais bonita
Nem existe um povo tão valente
Quem quiser que cante sua terra
Eu, porém canto a minha e minha gente.


Francis Gomes

A criança e o poeta



Há! Se o tempo parasse de repente,
E voltasse a ser como era antigamente
Para eu reviver velhas alegrias.
E eu voltasse ser criança novamente,
E se possível, ser criança eternamente
Envelhecer na meninice dos meus dias.

Como eu queria ser criança a vida inteira!
Cabelo duro todo sujo de poeira,
Chegar em casa e ouvir, mamãe falar:
-O que tu fez com a tua cabeleira?
-Por ventura faltou água a cachoeira?
-Vem cá menino deixa que eu vou te banhar”.

-Traz o sabugo e rapa de juá,
-Este cascão hoje vai ter que limpar.
-Mamãe já sou homem macho.
-Vem logo se não quiser apanhar.
E eu saía, pula pra lá e pra cá,
Até chegar a beirada do riacho.

Chegando lá, mamãe dizia: - entra no rio.
Eu brincava até ficar roxo de frio,
Só saia quando mamãe me chamava.
-Vem cá menino, me deixaeu ver o teu ouvido,
- Limpou direito? Coisa que eu duvido.
E com um pano velho me secava.

- Dá a mão filho vamos embora.
E nós saia caminhando estrada afora,
Até chegar a nossa casinha de sapé.
Enquanto mamãe fazia o jantar,
Eu brincava esperando papai chegar
De repente escutava bater o pé.

-Mamãe, mamãe, papai chegou,                                                                                  
-Ele vai pro rio eu também vou.
-Posso ir papai, com o senhor?
-Não filho, papai volta já,
-Fique com a mamãe preparando o jantar,
-Você já banhou.

-Mamãe, mamãe, quero jantar.
-Calma filho, espera o papai chegar,
-Ele já está vindo.
E de repente ela corria e me abraçava,
Me mordia, me apertava, me beijava,
Eu nem sei, se chorando ou se sorrindo.   

Uma aurora bronzeada sobre a terra!
Era o sol se escondendo atrás da serra,
E os pássaros procurando onde pousar.
Enquanto isso eu olhava da janela,
Vendo papai que abria a cancela,
E eu corria para mesa de jantar.

Papai e mamãe sentavam,
E eu subia na cadeira enquanto oravam.
Mamãe fazia nosso prato, depois o dela.
Depois sentávamos na beira da calçada,
Olhando o céu, observando a passarada,
Eu cochilava e dormia no colo dela.

Quando o poeta, nem pensava em ser poeta,
Era apenas uma criança discreta,
Protegido pelo o rei e a rainha,
Hoje, sou mais um entre os corações contritos,
Um poeta que ninguém ler seus escritos,
Revoada de uma única andorinha.

E a criança que pulava alegremente,
Com o pai e a mãe sempre presente,
De saudades hoje o seu coração ferve.
Com os seus pais tão distantes e tão ausentes,
O poeta é um homem tão carente,
Que se torna uma criança quando escreve.

Se eu pudesse pedir algo ao altíssimo,
E minha voz chegasse ao Senhor justíssimo,
Neste dia eu pediria um só presente:
Humildemente em nome de Jesus Cristo,
Este poeta que ninguém ler seus escritos,
Só deseja se criança novamente.                                                                                                                            

Que saudade, sinto da minha infância,
Do meu tempo de criança,
Eu, papai, mamãe, nós três.
Há! Se o tempo parasse de repente.
Voltasse a ser como era antigamente,
E eu pudesse ser criança outra vez.   

                                                   Francis Gomes


terça-feira, 10 de maio de 2016

Amor bom deixa marcas

Amor bom é aquele que marca que deixa marcas.
 Aquele que fica tatuado, no corpo na alma gente.
Que quando a gente lembra sente arrepios
O corpo treme, respira fundo e a pele fica quente.

Amor bom é aquele que a gente nunca esquece
Do toque, do beijo, do abraço dos corpos suados.
Das caricias e dos carinhos, das palavras ditas,
Dos sussurros no êxtase dos corpos extenuados.

É aquele que um ao outro se entrega por completo
Sem pensar em nada. Nem no antes nem no depois
Nem no certo ou errado nem nas consequências
Não existe mundo não existe gente, só os dois.

Amor bom é aquele que marca que deixa marcas
Que passa o tempo e ele permanece, na alma no corpo marcado
Tatuado, arquivado no coração e na mente da gente,
E na velhice a gente lembra contente, amei e fui amado.

Francis Gomes




segunda-feira, 9 de maio de 2016

Amor Morfológico



O amor  é um sentimento primitivo e radical.
Não aceita desinências nem afixos
Mas os amantes criam suas derivações
Acrescentando ao amor falsos sufixos
E nestas derivações impróprias
Surgem também inexistentes prefixos


Apesar de uniforme e primitivo
E não aceitar derivações
Devido o hibridismo dos amantes
O amor tem suas exceções
Sem perder a composição original
Permite algumas flexões


É claro que isso não é regra
Cada um sabe sua necessidade
A reflexiva  precisa ser recíproca
E ainda depende da adversidade
Da pessoa, do lugar do tempo
Da causa, do modo da intensidade.


O amor por si próprio é primitivo
É amor, e não aceita variantes
Mas devido às irregularidades
E as mudanças serem abundantes
O amor se torna morfológico
Para suprir as falhas dos amantes.

Francis Gomes





sexta-feira, 6 de maio de 2016

Se eu pudesse escolher


Na vida ás vezes a gente,
Tem poder de escolher
A roupa que quer vestir
A comida que quer comer
O lugar que quer morar
E como ele quer viver.

Os amigos as amigas
E quem se quer conhecer.
Porém a gente não escolhe
De quem ele quer nascer,
Mas Deus sabe todas as coisas
E sabe bem escolher.

A mãe que o filho merecer
Pra lhe ensinar a viver
Porque se o filho escolhesse
Podia até não saber.
Mas se Deus me permitisse
Se me desse este puder
Mamãe se dúvida nenhuma
Eu escolhia você
Para ser a minha mãe
Em todas as vidas possíveis
Que eu pudesse viver.


Francis Gomes



quinta-feira, 5 de maio de 2016

O maior amor do mundo


Palavra bem pequeninha
Mas de um valor profundo
São apenas três letrinhas
Fala-se em um segundo
Porém carrega com ela
O maior amor do mundo

Por mais que o sofrimento
Ele te acompanhe
Por mais que sofra na vida
Por mais que da vida apanhe
É feliz. Muito  feliz de verdade,
Quem ainda tem sua Mãe.

Francis Gomes


quarta-feira, 4 de maio de 2016

Análise sintática do amor 


Quando o amor 
Passa do singular para o plural, 
De primeira e segundo pessoa do singular 
Para ser conjugado na terceira do plural, 
É porque a conjugação não tem sentido 
E a pontuação está errada. 

A onde deveria ter vírgula 
Foi colocando ponto e vírgula, 
A onde pede dois pontos 
Existe um travessão no meio, 
E antes de concluir há um ponto final. 

O sujeito que era composto passa a ser simples 
E provavelmente será substituído 
por um indeterminado ou oculto. 
O substantivo passa a ser comum 
E perde as qualidades. 

E seu grau analítico, 
Passa do aumentativo para o diminutivo, 
Já não existe mais concordância verbo nominal. 
O verbo de ligação não existe 
E a preposição não faz falta. 
O am-or equivocadamente foi separado. 

Francis Gomes