POETA FRANCIS GOMES

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sábado, 20 de agosto de 2016

Carta ao presidente


Saiba excelentíssimo senhor presidente,
O senhor que não é nordestino como a gente,
Que aqui no nordeste tudo vai bem.
Há mais de três anos que não chove,
Se não acredita, venha o senhor e comprove
Apesar de que isso, não é da conta de ninguém.

As ribaçãs que sempre migram do agreste,
Enfeitando o céu azul do meu nordeste,
Também fugiram para não morrer de fome.
E a cauã que canta ao romper da aurora
Hoje não canta, ela simplesmente chora,
Pois como eu, faz muito tempo que não come.

Por falta de chuva, os rios e açudes secaram,
Os resistentes umbuzeiros murcharam,
Até o mandacaru murchou também.
Mas saiba excelentíssimo Senhor presidente
O senhor que não é nordestino como a gente
Que aqui no nordeste tudo vai bem.

Os nossos filhos, já nem vão mais a escola,
Ao in vez disso, precisam pedir esmola,
Andam sujos, descalços e esmolambados.
Muitos estão doentes em cima da cama,
Isto é normal depois de beberem lama,
Misturada com fezes e a urina dos gados.

Gados que morreram sem ter pra onde fugir,
A fome e a sede, não puderam resistir,
Mas este é o destino que todo sertanejo tem.
Por isso saiba excelentíssimo senhor presidente
O senhor que não é nordestino como a gente
Que aqui no nordeste tudo vai bem.

Somos nordestinos, fomos esquecidos.
Homens e mulheres desconhecidos,
Apesar de ser um povo tão valente.
Quarenta dias jejuaram Cristo e Moisés,
Mas meu senhor jejuar quarenta meses
Infelizmente não existe quem aguente.

Senhor presidente, desculpe lhe jogar isso na cara,
Pois não sabe o que é ter fome doença rara,
E não conhece esta dor que a gente tem .
Por isso saiba excelentíssimo senhor presidente
O senhor que não é nordestino como a gente
Que aqui no nordeste tudo vai bem.

Se por acaso esta carta chegar a vós
Certamente não ouvirá mais minha voz
Porque a morte esta batendo em minha porta.
Não sou o único, sou apenas mais um homem
Como muitos, condenado a morrer de fome,
Mas e daí, quem com isso se importa?

Desculpe os erros minhas mãos estão tremendo,
E as minhas vistas já estão escurecendo
Chegou à hora, de eu me despedir também.
Mas saiba excelentíssimo senhor presidente
O senhor que não é nordestino como a gente
Que aqui no nordeste tudo continuará bem.



Francis Gomes

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